31Ago
2017
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Grupo de Amigos

Por vezes os adultos não notam como é importante o tempo que passas com os teus amigos e as tuas amigas. Não pensam que há muitas inquietações, desejos, momentos de prazer, interesses, dúvidas,necessidades de afecto, comunicação e aceitação que só podes resolver nas relações com rapazes e raparigas da tua idade.

No grupo, na turma ou fora da escola, aprendem-se coisas muito importantes. Aprendes a conviver segundo as regras que tu mesmo vais criando com a participação de todos e de todas. Trocas opiniões, fazes planos sobre o que pode satisfazer os interesses comuns. No grupo constrói-se a amizade, superam-se as troças e provocações. Aprendes a respeitar e a exigir respeito, a resolver conflitos e divergências, a saber o que fazer quando sofres com a rejeição dos outros, a seres amável, a reconheceres os erros, a saber como reagir quando algumas coisas correm mal, encontrar o modo de as superar, a resolver as dificuldades e o medo que nasce da proximidade entre ti e os outros, sobretudo entre rapazes e raparigas.

O grupo é como um espelho em que aprendes a reconhecer-te na opinião dos teus companheiros e das tuas companheiras, em que experimentas aqueles comportamentos que poderão trazer-te aprovação, afecto, aceitação e respeito, tal como aqueles que te tornarão objecto de censuras, rejeições, antipatias ou troça.

Estas experiências permitem-te conhecer as tuas qualidades, os teus limites, encontrar o teu lugar no grupo, que poderá não ser o papel da mais simpática, mas da que é melhor aluna. Pode acontecer que não sejas um campeão no desporto, mas em vez disso um óptimo leitor. Que não sejas a mais bonita, mas a mais apreciada. Não o mais forte, mas o mais inteligente.

Encontrar um espaço de reconhecimento e aceitação no grupo é a tarefa quotidiana mais difícil, mas não há alternativa: é uma matéria de estudo insubstituível, uma passagem obrigatória no caminho para a idade adulta, um complexo treino para o futuro.

As relações que se formam nos grupos têm intensidades e durações muito variáveis. Algumas são mais próximas, profundas e duradoiras, outras mais superficiais, distantes e duram pouco tempo. Neste processo adquire especial importância o valor da amizade e ainda mais a escolha da melhor amiga ou do melhor amigo. Os critérios de escolha dependem muito das qualidades pessoais que são mais apreciadas para aceitar ou recusar os outros e as outras da tua idade.

• Têm confiança em mim e eu neles.

• Temos os mesmos gostos.

• Estão de acordo comigo em quase tudo.

• Temos uma maneira de ser semelhante.

• Dizem-me em que é que errei, e eu digo-lhes a eles.

• Ajudamo-nos mutuamente.
OU ENTÃO… Não tem nada a ver comigo.

• Não está de acordo nem comigo nem com os meus amigos.

• Andam comigo por interesse.

• Não tem as qualidades que procuro.

• Não temos afinidades que possamos partilhar.

• Não me compreendem.

• Têm defeitos que detesto.

• Não tem as mesmas ideias que eu, etc.

A melhor amiga ou o melhor amigo é a pessoa com quem sentimos maior afinidade no grupo, com quem compartilhamos os sentimentos mais profundos, os segredos mais íntimos, as preocupações, as arrelias e as alegrias, as ilusões, as fantasias, os ideais e os desejos. Em geral temos em comum os mesmos interesses, ideias e valores.
A amizade é uma relação voluntária e recíproca, de satisfação mútua, de respeito de sentimentos, gostos, aspirações, critérios, e da confiança que se tem nos amigos e nas amigas.

Não é uma relação de subordinação aos interesses do outro, nem de manipulação em função dos próprios desejos.
Na adolescência, além de nos relacionarmos com amigos ou amigas, companheiros e companheiras, começamos a sentir curiosidade e atracção por alguns aspectos do desenvolvimento sexual que anteriormente não nos interessavam e pela possibilidade real de nos aproximarmos do rapaz ou da rapariga que nos agrada mais. No grupo sentimos confiança, mas também receio.

Em geral, as situações novas criam-nos tanta confusão que por vezes, em vez de resolver os problemas, agudizamo-los; ironizamos sobre nós próprios, sobre os outros e sobre tudo o que parece importante. Dizem-se piadas, fazem-se brincadeiras, comentários provocatórios e ofensivos sem se perceber como poderão magoar e sem se avaliar as consequências negativas para outras pessoas.
A capacidade de resolver estes problemas, de enfrentar as pequenas ou grandes dificuldades, consegue-se desenvolvendo uma cultura que valorize os sentimentos, as virtudes morais e os comportamentos que distinguem as pessoas e as tornam apreciadas.
No grupo todos são responsáveis pelos sentimentos que prevalecem. O comportamento de cada rapariga ou de cada rapaz é determinante nas características do grupo: favorece a persistência de um ambiente negativo ou contribui para fazer predominar aqueles valores que proporcionam o bem-estar comum.