27Jul
2017
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Já sou uma rapariga, já sou um rapaz

Neste processo de aprendizagem chega o dia em que te dás conta de que algumas pessoas que tinhas idealizado como modelos também têm os seus defeitos, cometem erros, e já não são «o máximo», como tinhas imaginado.

Embora as desilusões sejam dolorosas, este «dar-se conta» é muito importante para crescer, porque te avisa de que estás a começar a ver a realidade com olhos adultos e não com o olhar ingénuo da infância. Imaginar e sonhar é uma coisa boa em todas as idades, mas quando tens de escolher e tomar uma decisão é melhor que o faças com elementos de discernimento que te permitam observar e analisar a realidade. Foi bom tê-la idealizado, mas agora isso deve ser apenas uma recordação. Por isso, às vezes sentes-te defraudado/a quando te dás conta de que não existe um modelo ideal absoluto e que aquilo que tinhas imaginado nem sempre corresponde à realidade. Na mesma pessoa podes encontrar excelentes qualidades, com as quais consegues identificar-te, mas também características que não te agradam.

Ao longo da História têm sido divulgados e postos em relevo os modelos masculinos em vez dos femininos, sem reconhecer o papel importante das mulheres ou o seu contributo para a cultura. E isto não só nos séculos que já decorreram.

Ainda hoje em muitos países do mundo as mulheres são consideradas seres inferiores e menos importantes do que os homens. Ainda hoje muitas pessoas pensam que as mulheres só servem para procriar, cuidar dos filhos e para se ocupar do lar.
Por isso lhes proíbem estudar, exercer trabalhos remunerados; são maltratadas física e psicologicamente, humilhadas, privadas do direito de tomar decisões sobre os seus projectos de vida e até o seu próprio corpo. É-lhes negada a possibilidade de planear as gravidezes, não se respeita o seu direito à saúde, à educação, ao trabalho, a uma vida digna.

É uma das maiores injustiças que a humanidade vive actualmente. Por isso, muitas pessoas trabalham para modificar estas tristes e absurdas realidades. Essas relações de superioridade-inferioridade estabeleceram-se ao longo de séculos entre o homem e a mulher, tendo por consequência que a mulher foi escravizada e o homem privado de direitos importantes, como a possibilidade de exprimir abertamente as suas emoções e os seus sentimentos, de resolver pacificamente qualquer conflito, do prazer de cuidar dos seus filhos e de os educar, de ser meigo, etc.
Homens e mulheres, pertencemos à mesma espécie, a espécie humana. Por isso nos parecemos tanto, se bem que. para garantir a continuidade da espécie, tenhamos algumas diferenças que nos tornam muito atraentes uns para os outros.

Estas diferenças não significam que um sexo seja mais importante nem melhor, nem superior ao outro. Significa apenas que cada um dos dois sexos contribui para a procriação com características e funções diferentes. Contudo, ser homem e ser mulher não significa apenas isto. A capacidade da espécie humana de criar cultura permitiu-lhe descobrir que os dois sexos podem aprender a desenvolver as mesmas actividades, e portanto podem e devem compartilhar as mesmas responsabilidades em família e na vida pública. É importante analisar se em casa, na escola,
na sociedade e em geral em todo o país existem fenómenos de discriminação das mulheres ou dos homens.

Entre nós parece que a paridade entre os sexos é um objectivo já atingido, mas vendo bem ainda há muitos casos ou episódios de discriminação, quer na vida privada das pessoas quer nas relações sociais, na escola e nos meios laborais. Ainda há um longo caminho a percorrer. Quando finalmente for alcançada a paridade, as vantagens não dirão respeito apenas às mulheres, mas a toda a sociedade.