26Set
2017
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O desenvolvimento sexual

Na puberdade, os centros nervosos que regulam a actividade sexual activam-se e aumenta a circulação das hormonas no sangue, pelo que todo o corpo fica mais sensível aos estímulos que passam despeitar desejos de actividade sexual ou uma forte necessidade de estar fisicamente próximo de alguém. Sente-se uma grande curiosidade pelo próprio
desenvolvimento sexual e pelo dos outros. Surgem novas formas de atracção que motivam a aproximação entre os adolescentes, agora já não apenas como companheiros e companheiras ou amigos e amigas, mas também como pessoas que sentem agrado mútuo e desejam estar juntas. As carícias, os modos gentis, os olhares afetuosos do rapaz ou da rapariga que provoca atracção podem gerar emoções que talvez nunca tenham experimentado antes. O desejo e a excitação sexual podem verificar-se devido a diversos estímulos: ideias, recordações, sentimentos, imagens de sonhos, de filmes ou de fotografias, os conteúdos de algumas leituras, conversas, cantões, a proximidade de uma pessoa que achas atraente, o receberes carícias, o tocar nos órgãos genitais.
Durante a puberdade, algumas partes do corpo adquirem a capacidade de captar sensações mais específicas e intensas do que quando eras criança. É provável que tanto a rapariga como o rapaz tenham necessidade de se conhecer, não só olhando a sua imagem ao espelho mas também tocando-se com as mãos para verificar como são, como mudaram, o que sentem quando se tocam.

Se ainda não aconteceu antes da puberdade, é possível que descubram agora o prazer de acariciarem algumas partes do corpo que são particularmente sensíveis ao tacto. For exemplo, pode acontecer que, ao esfregar com delicadeza e de modo prolongado uma área genital (o clitóris nas raparigas e o pénis nos rapazes), se obtenha uma sensação
particularmente agradável, que poderia aumentar de intensidade até culminar num momento de prazer máximo que se sente em todo o corpo e especialmente nos órgãos sexuais. Este breve instante, intenso e muito agradável, é chamado orgasmo ou clímax.

A excitação sexual e o orgasmo provocam reacções semelhantes nos órgãos genitais das mulheres e nos dos homens.

– Nas mulheres, durante a excitação, a vagina fica húmida e dilata-se, o clitóris endurece e, ao atingir o orgasmo, produzem-se contracções nos músculos que circundam a vagina e o útero, embora geralmente as do útero não sejam sentidas.
– Nos homens, durante a excitação, verificam-se a erecção e o endurecimento do pénis e, ao atingir o orgasmo, os músculos que favorecem a ejaculação contraem-se.

O prazer sexual não se limita só à sua expressão genital nem só ao momento do orgasmo. Todos os estímulos que provocam desejo sexual, como as carícias, os odores, as fantasias, as emoções e os sentimentos, o amor, favorecem a participação de todo o corpo no encantamento erótico.
O prazer sexual não se atinge apenas na relação entre duas pessoas. A estimulação pelo próprio das suas partes mais sensíveis dos órgãos genitais externos, quer se chegue ou não ao orgasmo, chama-se masturbação.

Masturbar-se não é prejudicial, assim como também não é não o fazer. Quer uma pessoa se masturbe ou não, quer o faça muitas vezes ou raramente, é normal, sempre que seja por decisão própria. Mas quando o desejo de o fazer se torna incontrolável, tão forte que dificulta a concentração noutras actividades, é necessário consultar um médico especialista. A masturbação é uma experiência íntima e absolutamente pessoal, não é um sinal de diferenciação nem de comparação entre as pessoas. Cada um deve descobrir, de modo individual e autêntico (sem a tentativa de imitar os outros ou as outras), o seu modo particular de alcançar o prazer sexual. Não é preciso deixar-se convencer pelo amigo ou pela amiga, pelo namorado ou pela namorada que insistem que é cor-
recto ou não é, porque as outras pessoas, sendo diferentes de nós, não sentem da mesma forma o desejo, nem o mesmo interesse, nem escolhem as mesmas situações para se sentirem bem. Masturbar-se não significa ser mais evoluído sexualmente do que aqueles que o não fazem; não é sinónimo de maior experiência, nem de ser uma pessoa mais atraente, nem mais madura, nem mais viril, nem mais feminina.

Significa apenas que àquela pessoa agrada fazê-lo. Nem é sequer uma característica da puberdade, nem algo que deve acontecer numa determinada idade. As pessoas, quer pertençam ao sexo feminino ou ao masculino, podem
masturbar-se em qualquer fase da vida, ou nunca o fazer, e em todos estes casos comportamento normal.