15Jul
2017
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O que acontece com os pais?

Estás empenhado em ser diferente, não só pelas mudanças do teu corpo mas também por aquilo que sentes, pensas, dizes e gostarias de fazer. Começas a sentir mais curiosidade pelo que sucede fora da família. Achas muito importante relacionares-te com outras pessoas, fazer amizades, planos e projectos com outros grupos e noutros lugares que já
não estão debaixo do controlo das mães e dos pais.
A necessidade de independência manifesta-se de maneiras muito diferentes em cada um e em cada uma.

Contudo, é normal que tentes mudar algumas regras estabelecidas pelos adultos, que constituem um obstáculo às tuas aspirações. Para satisfazer estes novos interesses precisas de uma maior independência e essa procura pode criar-te algumas dificuldades nas relações familiares. As situações novas provocam ou um grande desejo de ir descobri-las, ou muito receio, por isso o distanciamento da família é vivido com ambivalência: sente-se atracção pelas experiências novas, mas também medo de se afastar da protecção afectuosa que os pais dão.
O apoio e a compreensão da família, a protecção que te oferecem os limites estabelecidos pelas normas, regras e algumas das suas proibições podem ajudar-te a tomar decisões e a esclarecer a ambivalência dos teus sentimentos.

As reacções das mães e dos pais são várias: às vezes são mais compreensivos, outras mais injustos. Podem ser exageradamente permissivos ou demasiado proibitivos, mas quase sempre o que sucede é que têm muitas e grandes preocupações com aquilo que pode acontecer-te. Por isso, às vezes ficam confusos e não encontram a maneira mais justa de se comportar. Lamentam-se dos filhos e das filhas, irritam-se (com mais ou menos razão) e perdem a paciência, ou cometem outros erros que causam tristeza e mal-estar. O facto é que, muitas vezes, também os pais sofrem com esta situação nova. Se a sua atitude para contigo muda, não é porque gostem menos de ti.

Se soubessem como agir, certamente que se comportariam de outro modo. As inquietações que as mães e os pais sentem nascem da ideia de tudo aquilo que consideram perigoso para os filhos.

Se te dão mais liberdade têm de aceitar que já não podem proteger-te como antes, e isto assusta-os muito. Têm medo que outros rapazes ou raparigas, da tua idade e também mais velhos, te levem a desleixar os estudos, te obriguem a
fumar, a tomar bebidas alcoólicas, a consumir drogas; a contar mentiras ou a frequentar meios violentos.
Temem que te afastes dos bons valores que a família te transmitiu e com os quais eles se identificam. Têm medo de «te perder». Ainda sentem necessidade de estar junto de ti.

Muitas vezes não entendem que também a eles é dada a oportunidade de crescer, graças às novas circunstâncias que exigem mudanças no seu relacionamento com os filhos. Têm medo das consequências negativas que podem advir das relações sexuais precoces e prematuras: como gravidezes indesejadas, abortos, abusos sexuais, relações desrespeitosas e violentas, ou doenças que se podem evitar, entre as quais as sexualmente transmissíveis e especialmente a sida.

O facto é que as alterações da puberdade acontecem num tempo mais rápido do que aquele de que os pais precisariam para as entender. Embora fiquem satisfeitos por ver os filhos crescer, torna-se-lhes muito difícil aceitar que têm de mudar a maneira como se relacionam com eles e, mesmo que compreendam isso, não sabem como fazê-lo.
Em geral procuram provas para se convencerem de que chegou o momento de terem mais confiança nos filhos.

Ter pressa de crescer pode criar-te mais confusão. Não te deixes pressionar por ninguém. Todos os pré-adolescentes precisam de um tempo diferente para elaborar e decidir as saídas da sua casa para outros espaços novos, novos mas necessários.

Ter mais liberdade constitui uma grande atracção, sobretudo quando imaginas a ausência de obrigações, de exigências, o divertimento sem limites, etc. Por vezes gostarias de conseguir tudo imediatamente, de tal maneira que chegas a considerar as normas estabelecidas pelos pais como interferências que te fazem perder tempo. Contudo, a
independência é uma grande responsabilidade que se aprende a pouco e pouco e os pais, mesmo que possam parecer obstáculos, são as pessoas que estabelecer obstáculos, são as pessoas que estabelecem certas regras, que cuidam de ti e que te protegem no longo e complexo processo de crescer.