08Set
2017
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O que acontece com os rapazes?

Em geral não se fala com clareza da puberdade masculina, mas isto não significa que as modificações dos rapazes sejam
menos importantes que as das raparigas. Os preconceitos de algumas pessoas que consideram: «são homens», «certamente já sabem tudo», «eles que se desembaracem sozinhos», etc., distorcem as verdadeiras necessidades que os rapazes têm de ser informados e preparados para compreender o processo que estão a viver. Sem uma explicação prévia, muitas das alterações que se verificam nesta fase da vida podem assustá-los e confundi-los.
Tanto as raparigas como os rapazes devem fazer perguntas, sem vergonha nem receio de que lhes respondam mal, sobre tudo aquilo que os possa ajudar a entender o que lhes está a acontecer. Durante a puberdade, os rapazes, como as raparigas, adquirem a capacidade de se reproduzir, isto é, de poder ter filhos, se não tiverem o cuidado de usar métodos anticoncepcionais durante as relações sexuais.

Como é que os rapazes atingem a capacidade de reprodução? Com a puberdade, os testículos começam a produzir testosterona (hormona sexual masculina); esta é responsável por provocar nos rapazes o aumento da estatura e algumas mudanças físicas. Mas, sobretudo, esta hormona estimula os próprios testículos de forma a produzirem, pela primeira vez, espermatozóides. Os testículos só começam a fabricar espermatozóides durante a puberdade.
Ao contrário das raparigas, cujos ovários libertam todos os meses um óvulo maduro, os rapazes produzem todos os dias uma enorme quantidade de espermatozóides, cerca de 100 a 300 milhões, ou seja, de 1000 a 3000 por segundo. Esta produção começa com a puberdade e termina na velhice.
Os espermatozóides, à medida que são produzidos pelos testículos, são armazenados nos epidídimos.
Daí saem através dos canais deferentes e antes de chegarem à uretra misturam-se com os fluidos que provêm das vesículas seminais e da próstata, formando o sémen ou esperma. Imersos neste líquido de aspecto viscoso e esbranquiçado, atravessam a uretra e saem pelo orifício que se encontra acima da glande.

A expulsão do sémen chama-se ejaculação e verifica-se em poucos segundos, provocando quase sempre uma sensação de prazer intenso.
Em geral, durante a ejaculação o pénis encontra-se erecto, a seguir volta à sua posição habitual. Muitas vezes os rapazes sentem erecções sem que cheguem necessariamente a ter uma ejaculação. Mas também pode acontecer, embora não seja muito frequente, que se ejacule sem que o pénis se encontre em posição erecta. Verificam-se erecções em todas a idades do ciclo da vida. desde que se é um feto no ventre materno até quando já se é muito velho. A ejaculação pode ser voluntária ou involuntária. Voluntária quando a pessoa a deseja e a provoca.
É involuntária quando acontece sem que a pessoa a tenha desejado.

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Os pré-adolescentes atravessam uma etapa da vida em que as hormonas, e particularmente as hormonas sexuais, estão muito activas. A produção diária de espermatozóides é muitíssimo elevada. Estes vão-se acumulando no epidídimo até encherem todo o espaço. Como têm de deixar lugar para os novos espermatozóides que se vão produzindo todos os dias, os que estão armazenados são expulsos através do pénis, graças à ejaculação involuntária. Se não se verifica ejaculação, os espermatozóides desintegram-se e são reabsorvidos pelos tecidos do corpo.

Na maior parte dos casos, esta emissão involuntária do sémen acontece de noite, durante o sono. E o fenómeno chamado familiarmente «sonhos molhados» ou «ejaculações nocturnas». Só ao acordar é que o rapaz se apercebe do que aconteceu, encontrando manchas de esperma seco nos lençóis, no pijama ou nas cuecas. Também pode dar-se o
caso de acordar enquanto isso lhe está a acontecer.
A ejaculação nocturna pode ser acompanhada por sensações de prazer, por orgasmo, por sonhos agradáveis e excitantes.

Em geral, a primeira ejaculação de um pré-adolescente verifica-se deste modo e, tal como a menarca para as raparigas, assinala o início da maturidade sexual do ponto de vista biológico e o início da vida fértil.
Contudo, ao contrário da fertilidade das mulheres, a dos homens é constante e não cíclica.
Além disso, a maior parte dos homens mantém a capacidade de procriar até uma idade muito avançada, embora também eles vivam uma etapa de grande diminuição na produção das hormonas sexuais, conhecida por andropausa. Neste processo natural diminui a produção de espermatozóides, mas não se anula a capacidade de gerar filhos.

A paternidade é uma responsabilidade muito importante que um homem pode escolher. Não deve ser uma obrigação nem um expediente ou uma espécie de chantagem para obter vantagens emocionais ou materiais; não deve ser usada para demonstrar a sua fertilidade ou masculinidade. Deve ser desejada e planeada com a utilização de anticoncepcionais.

Alguns homens não conseguem procriar, e a ciência nem sempre descobre a causa. Um homem que não pode ter filhos não é inferior nem menos homem que aqueles que podem tê-los.